Darwin, por Toni d'Agostinho

Este blog homenageia o cientista Charles Darwin (acima, no desenho de Toni d'Agostinho) que desvendou a origem da vida.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

DE METAFÍSICAS E TRANSCENDÊNCIAS



 (Mark Ryden - alegoria dos quatro elementos)


Metafísica é invenção. Pura invenção. Ficção. Nada há "além da física", ou além da matéria. Só o pensamento. E o pensamento, com tudo o que o implica, como capacidade de raciocinar, de imaginar, de sonhar, de criar, não tem, absolutamente, nada de metafísico. É uma capacidade humana, quiçá de outros organismos vivos. O ser humano não precisa de metafísica, para viver e sobreviver. Precisa apenas usar sua capacidade de pensar, de resolver problemas.


E então, pode-se perguntar: e a transcendência? E a espiritualidade. O que chamamos transcendência, ou "espiritualidade", nada tem da famigerada metafísica. Se queremos transcendência, ou "espiritualidade", sonhemos, imaginemos, criemos. E leiamos literatura, poesia. Ouçamos música. De preferência os chamados "clássicos". Vamos ao teatro. Assistamos a um bom filme. Ou a um espetáculo de dança. Contemplemos obras de arte visuais. Ou o velho e bom pôr do sol. Contemplemos a natureza. Banhemo-nos nas águas de um rio. E, sobretudo, respeitemos a vida. Admiremos a capacidade dos seres vivos e da natureza de nos fornecer não apenas beleza, mas também a nossa sobrevivência. Não é preciso rezar, orar, praticar salamaleques e cerimônias, para viver e contemplar a natureza, admirá-la e encher nosso "espírito" de paz, de harmonia, de desejo de respeitar a vida humana e os demais seres humanos. E não tomemos ao pé da letra o termo "espírito", que nada tem a ver com a existência de seres mortos, de vida depois da vida, de anjos, demônios, santos, orixás, ou quaisquer outros nomes que se deem a entidades místicas. "Espírito", aqui, tem apenas o significa daquilo que está dentro de nós e que ainda não conseguimos definir muito bem, aquilo que nos move e comove, enquanto seres vivos. Eliminemos o misticismo de nossas vidas, como um tributo à nossa liberdade de sermos o que somos: seres vivos, produto de uma longa, longuíssima cadeia biológica evolutiva, e não seres criados por qualquer deus cruel e vingativo, a nos cobrar fidelidade ou qualquer outro tipo de servidão. Deus é escravidão. Crer em divindades significa abaixar a cerviz, como um escravo, e dar o pescoço à forca ou ao machado do carrasco. Deus é o carrasco do homem. Nada mais. Livrar-se dele é tornar-se o homem verdadeiramente livre, como, metaforicamente diz Olavo Bilac em seu poema, Alvorada do amor: "Porque, livre de Deus, redimido e sublime, / Homem fico na terra, à luz dos olhos teus, / Terra, melhor que o Céu! homem maior que Deus!"



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