Darwin, por Toni d'Agostinho

Este blog homenageia o cientista Charles Darwin (acima, no desenho de Toni d'Agostinho) que desvendou a origem da vida.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SEXO E EVOLUÇÃO, SEM RELIGIÃO



(Bernini - o êxtase de Teresa, detalhe)


A natureza desenvolveu a reprodução sexuada como forma de permanência da maioria dos seres vivos. À medida, no entanto, que nos aproximamos do homo sapiens sapiens, o sexo deixa de ser apenas uma forma de reprodução, para se tornar fonte de prazer. O homo sapiens sapiens - e talvez mais uma ou outra espécie, como os bonobos - faz sexo porque o sexo se tornou vital para seu estar no mundo e ter momentos de satisfação, e não necessariamente para manter a vida.

É sinal de civilidade, na raça humana, fazer sexo - e obter prazer - com o outro, não a despeito do outro. Ou seja, quanto mais nos civilizamos, mais respeitamos a ideia de troca, de companheirismo que o ato sexual implica. Fazer sexo com o outro implica respeitar o outro na sua vontade de também obter prazer. Por isso, sem dúvida nenhuma, estão condenadas, como bárbaras, formas de sexo em que o outro não consente (estupro) e em que o outro não tem condições de julgar se é ou não prazeroso o ato (pedofilia e zoofilia). E, como seres altamente sexuados e ávidos de prazer, nossa sexualidade, fora os casos aberrantes citados (outras parafilias são questões puramente culturais), não está necessariamente voltada para seres do mesmo gênero. Mesmo os indivíduos que nascem com a tendência de só praticar sexo com o gênero oposto ao seu, pode, em qualquer circunstância não obstar o prazer com quaisquer outros gêneros, desde que se lhe apraza a circunstância e o desejo, sem que para isso tenha de deixar de ser aquilo que é. Mesmo os indivíduos que nascem com a predisposição de só praticar sexo como o mesmo gênero do seu, pode, em qualquer circunstância não obstar o prazer com quaisquer outros gêneros, desde que se lhe apraza a circunstância e o desejo, sem que para isso tenha de deixar de ser aquilo que é. A liberdade de escolha de parceiros sexuais está, pois, na essência da própria humanização do ser humano. A única condição para o prazer sexual é a consensualidade. Condenar escolhas ou impor padrões de comportamento sexual implica agir totalmente contra o que a natureza, em si mesma, não condena nem impõe, caso contrário não teríamos a diversidade sexual e comportamental que os milhares de anos de evolução desenvolveram, para satisfação do homo sapiens sapiens.


Embora possa haver indivíduos assexuados ou que não tenham nenhum interesse pelo sexo, o que é também possível e perfeitamente natural, a condenação ao sexo como forma de prazer retroage o homem ao seu primitivismo atávico, recoloca-o no mesmo nível das demais espécies que têm no sexo apenas o objetivo de procriar, empobrecendo uma experiência que o homem levou milhares de anos para obter e aceitar. É o que fazem as religiões, em sua maioria, porque, ao domar o sexo de seus seguidores, pensam estar também domando o seu pensamento, atrelando-o a seus dogmas e prendendo-o a seus ensinamentos, como forma de dominação e poder, com objetivos claramente econômicos. Essa posição equivocada tem, paradoxalmente, o objetivo de levar o homem a arrepender-se do prazer obtido no sexo (o que eles, os religiosos, sabem perfeitamente ser impossível evitar), ao considerar tal prazer um pecado, e mantê-los atrelados à ideia salvacionista de pedido de perdão ao deus ou ao líder religioso, que capitaliza então o arrependimento em prol da união do rebanho e do crescimento financeiro da seita. Sexo e religião são como água e óleo: opõem-se, mas não há um sem o outro e conta-se com o fogo do óleo (o sexo) para aquecer a água (as finanças) da religião. 

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