Darwin, por Toni d'Agostinho

Este blog homenageia o cientista Charles Darwin (acima, no desenho de Toni d'Agostinho) que desvendou a origem da vida.

sábado, 11 de janeiro de 2014

OS REPRESENTANTES DOS DEUSES: ODIÁ-LOS É PRECISO








Eu ia dizer: odeio todos os padres, bispos, gurus, pastores, rabinos, aiatolás, essa gente que se acha o instrumento da fé de qualquer religião ou de qualquer deus. Mas não, não vou dizer que os odeio: acho que não há na minha mente a capacidade de ódio que eles merecem. Por isso, direi que lhes tenho profunda ojeriza. Por tudo que eles são em termos de prestidigitação, de enganação. Criam ritos que são verdadeiros circos para tirar dinheiro do pobre coitado que acredita em "milagre" e não distingue esses imbecis enganadores dos mágicos profissionais. São todos mágicos, porque transformam crendice em ouro, muito ouro. Com suas caras abobalhadas de bodes que acabaram de fornicar, passam para o seu público um ar de beatitude que esconde milhares de anos de falcatruas, de invenções absurdas e de capacidade de exploração da mente humana.

Não, não se pode ter qualquer grau de tolerância para com essa corja que corrompe a mente dos homens. Que me desculpem aqueles que creem nas palavras, nas orações, nos ritos e nas celebrações dessa gente: são todos, absolutamente todos ou uns tolos a serviço de espertalhões ou são eles mesmos os espertalhões a exercer um dos mais antigos ofícios do homem, que é iludir o outro para arrancar dele o que não daria sem todo um aparato esperto de conto do vigário. Acendem piras aos deuses que eles sabem não existir. Vestem-se de forma ridícula, para forçar a diferença entre eles e seus adeptos, ou vestem-se ricamente, para impressionar, para dizer que são enviados de alguma divindade. Constroem templos majestosos para honrar a própria capacidade de enganar, porque sabem que os mais fracos de pensamento  se impressionam com a grandiosidade. Usam de todos os artifícios possíveis para enganar, para tirar dinheiro de quem tem ou de quem não tem, com a mesma sanha. O rico não fica mais pobre porque entra no jogo e ajuda a divulgar diante de todos a sua falsa preocupação com a divindade e com os mais pobres, para melhor explorá-los como clientes ou massa de manobra para seus projetos de poderes. Mas o pobre, sempre ele, sempre fica mais pobre, sempre paga a conta das mirabolantes promessas de uma vida melhor, ao tirar do pouco que tem para aumentar a fortuna da seita ou do dono da seita que ele frequenta.

Não, não os odeio, porque precisaria ser eu e mais muitos, muitos milhões para ajuntar todo o ódio possível que eles merecem. Por isso, repito, tenho-lhe uma ojeriza profunda. E mais:  tenho por eles um nojo visceral por tudo quanto representam de atraso, de exploração da incapacidade humana de se desprender da crença de deuses fabricados para escravizar o homem. Libertar-se dessa corja e libertar-se da crença em deuses é, talvez, o maior grito de libertação que um homem pode dar a si mesmo como presente, para usufruir a vida como ela é: natural e plena, sem metafísicas inúteis, sem pensamentos idiotas de prestação de contas a um deus ou a qualquer deus.


 Não lhes dar trégua e combater esse tipo de exploração é, talvez, uma missão complexa e tão absurda, ainda, quanto transformar em água as areias do deserto, mas não deve ser motivo para esmorecimento, porque, um dia, quem sabe?, o homem tomará dos deuses as rédeas de seu destino e, então, essa corja de exploradores que se autodenominam representantes desses deuses perderão a função na sociedade e seu desparecimento coincidirá com uma nova forma de civilização, menos bárbara, ou, pelo menos, menos propensa à escravidão  a formas rudimentares de pensamento. 

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