Darwin, por Toni d'Agostinho

Este blog homenageia o cientista Charles Darwin (acima, no desenho de Toni d'Agostinho) que desvendou a origem da vida.

terça-feira, 9 de abril de 2013

AS CRUZADAS DA GRANA







Relembremos a História: o cristianismo nasceu sob a perseguição do Império Romano e muitos dos primeiros cristãos foram jogados aos leões das arenas romanas. Aprenderam a lição. E quando Constantino se converteu à nova seita, os cristãos souberam de forma magistral aplicar a lição aprendida: de perseguidos a perseguidores, não tiverem dó nem piedade de seus inimigos. A fé havia que ser imposta a ferro e fogo ao mundo, para salvá-lo do fogo do inferno. E assim foi.

Cruzadismo: está no DNA do cristianismo. Primeiro, foram as cruzadas contra os mouros (milhões de mortes); depois, a cruzada contra as bruxas ((milhares de mulheres mortas); aí, veio a cruzada contra os gentios do novo mundo, as Américas (milhões de mortos)... Eram cruzadas que defendiam os interesses econômicos dos povos dominantes a que sempre se associaram os cristãos em sua forma institucional e os interesses "religiosos" (e também econômicos, claro) da Igreja Católica Apostólica Romana (o nome "apostólica" define o cruzadismo, a difusão da "fé" a ferro e fogo).

As fogueiras da inquisição foram apagadas. O tempo passou. A ICAR perdeu pouco a pouco o seu grande poder, a princípio lentamente, desde as primeiras apostasias de Lutero, Calvino e outros. Surgiram novas seitas. Surgiram novas formas de cruzadismo, com a era das comunicações. A ICAR ficou para trás.

Os novos "pastores" (apóstatas da ICAR) inauguraram, já no final do século XX,  uma nova forma de cruzadismo: o do dinheiro, sem disfarces. Para isso, precisam de fiéis, de muitos fiéis. E querem conquistá-los a ferro e fogo (para pagarem dízimos e fazerem "doações espontâneas" nos cultos). Vale, então, qualquer interpretação absurda da bíblia; vale dizer o que uma parte, talvez uma grande parte, de seus seguidores gosta de ouvir: pregações apocalípticas que incluem exorcizar demônios e maldizer infiéis. Tudo em nome de uma fé que cure os males do mundo, mas principalmente garanta um lugar no paraíso. E um lugar no paraíso é caro, exige investimento.  As falsas curas, o alívio imediato das dores, o consolo do sofrimento custam dinheiro. Muito dinheiro. E os novos "pastores" não se envergonham de dizer que deus olha - e com olho grande - por aqueles que sabem doar, que sabem se desprender dos bens materiais. Claro, o intuito é um só: arrancar dinheiro dos seguidores, mais nada. Uma simples transferência de renda, do bolso muitas vezes bem magros de rendimentos dos sofredores para o reino das casas, carros, fazendas, viagens, enfim, para o reino da vida fácil dos "pastores", já que o seu deus lhes deu o dom da palavra, da palavra da enganação, da palavra que, aos berros, põe para correr o demônio ao mesmo tempo que alivia dores e males do corpo de milhões idiotizados pela palavra, um gado submisso que vai para o abatedouro de templos suntuosos construídos com a fome do dia a dia, como se fosse para o paraíso. Aceitam o jogo de cena, esses coitados. Iludem-se com o teatro de quinta, armado pelos "pastores" e "bispos" e seus acólitos, no circo de prestidigitação que suplanta os efeitos especiais de qualquer espetáculo do Cirque du Soleil. E enchem as sacolas dos "pastores" de dinheiro, de cheques pré-datados ou, até mesmo, suprassumo da cara de pau, passam seus cartões de crédito nas suas maquininha infernais. Deus é moderno. Deus up-date. Up-datíssimo. Lá em cima, o "criador" deve olhar com satisfação a sua grande criação: o capitalismo que lhe assegura acesso às bolsas de valores, às grandes redes de comunicação, às grandes fortunas construídas com o pinga-pinga incessante do suor e sangue de seus seguidores. Um deus ex-machina, não mais de barbas brancas e olhar bondoso, mas um deus com a chave do cofre nas mãos, a passear de jatinho executivo pelos paraísos, sim, paraísos, paraísos fiscais!

Por isso, não é perseguição religiosa, como querem fazer crer agora os defensores do deputado que afirmou que deus matou o Beatle Jonh Lennon com três tiros, um em nome de cada uma de suas divindades, um em nome do pai,  outro do filho e mais outro do espírito santo;  o deputado que disse que deus meteu a mão no manche do avião dos garotos da banda "Mamonas Assassinas" para jogá-lo contra a serra, porque estava insatisfeito com os palavrões de suas músicas; o deputado que disse que a África é um continente amaldiçoado por esse mesmo deus e, depois, retificou, dizendo que a maldição não atinge a todos os africanos, porque há muitos brancos entre eles: é perseguição, sim, a atos e palavras que se colocam acima do bem e do mal (em nome de um deus) para saquear o bolso e a bolsa dos crentes, dos que procuram nessas "seitas" palavras de apoio moral e "espiritual" para males reais ou imaginários, e que são descaradamente enganados por uma pregação salvacionista. É perseguição, sim, contra gente que destila preconceito e ódio e incita à exclusão, ao ódio e ao preconceito, para ganhar dinheiro com isso.

Por isso, toda e qualquer manifestação contra esse tipo de gente é até muito leve, em proporção ao mal que causam: esses pastores de igrejolas caça-níqueis que se tornam milionários e poderosos à custa da ignorância e da credulidade do povo deviam, mesmo, é ser investigados, processados, julgados  e colocados na cadeia.

São todos estelionatários de deus.

5 comentários:

  1. Do presépio nasceu a presepada
    pra justificar toda cruzada.

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  2. O que o senhor acha da isenção de impostos das igrejas em geral? Sem tributação, não há controle por parte do governo; sem controle...

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    1. A isenção de impostos facilita a vida dos trambiqueiros, com a possibilidade de lavagem de dinheiro. Os "pastores" da Renascer forma pegos... mas nos EE.UU., onde as leis são mais duras. Foram pegos com dinheiro não contabilizado. Ou seja, lavagem de dinheiro. A Rede Record do "bispo" Macedo foi comprada com dinheiro ilícito, saqueado dos seguidores de sua seita. É uma festa com o bolso do contribuinte!

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    2. O lema do Edir: "quanto mais crente melhor".

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  3. Boa parte dos golpes clássicos (bilhete falso da loteria, etc), funcionam porque a vítima (o "otário") acha que está se dando bem em cima do aplicador do golpe (o malandro) ou de outras pessoas.

    A lógica de muitas dessas igrejas neo-pentecostais que tem na doação de dinheiro a "solução" dos problemas, opera em grande parte de mesmo modo. Aka, Teologia da prosperidade.

    O Pastor fala "Você que é ungido do senhor tem uma chance de alcançar graças que vão melhorar sua vida!". Aí o otário que acha que é malandro doa casa, salário, benefícios, carro, pensando em como "Deus vai multiplicar" tudo isso.

    E fica sem nada.

    Por um lado, é "bem-feito", mas por outro não deixo de ter pena dessa moçada tão pouco reflexiva sobre esse tipo de relação perversa que se estabelece em algumas igrejas.

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