Darwin, por Toni d'Agostinho

Este blog homenageia o cientista Charles Darwin (acima, no desenho de Toni d'Agostinho) que desvendou a origem da vida.

quarta-feira, 6 de março de 2013

PARA AS RELIGIÕES, TUDO É PERMITIDO







Eu não acredito na inocência das religiões.

Religião é forma de comércio e dominação, nada mais. São instituições cujos dirigentes máximos estão pouco se importando com o povo. Preocupam-se com seu bem estar, com sua condição de domínio de mentes e de carteiras recheadas.

Para dominar,  usam dos mais velhos truques, como inventar milagres, vender o inefável e o invisível como se fossem objetos de consumo, mentir descaradamente para seus adeptos, enganar, implantar falsos silogismos e, sobretudo, manter seus fiéis na mais completa ignorância.

Alimentam o fanatismo e dele fazem as religiões o seu meio de sustento. Utilizam todas as formas de prestidigitação para fazer crer que há um deus que exige fidelidade e, mais do que fidelidade, templos majestosos que consumam dinheiro, muito dinheiro; um deus brutamontes a brandir seu tacape contra os que os contrariam, ou seja, contra todos que não sigam sua cartilha de imposições e doações.

Não há igreja, crença, seita que sobrevivam sem dinheiro. Ele é o motor, a motivação, a causa da existência de milhares líderes religiosos pelo mundo afora, uma hidra de milhões de pernas e braços e bocas ávidas do rico dinheirinho do povo, a absorver a capacidade de pensar e o resultado do trabalho desse povo, sugando sua energia, para torná-lo escravo.

Crer em deus é aceitar uma forma de escravidão, a mais cruel de todas, porque suas correntes não podem ser quebradas por um ato de força, mas pela força da vontade de se libertar, o que é quase impossível, diante do medo que a religião impõe ao seu seguidor, o medo de algo que não existe mas que se materializa com o poder de argumentação dos astutos líderes, através de mentiras repetidas pelos tempos afora, como mantras entorpecedores que impedem qualquer reação. A palavra chave é "fé": a corrente mais cruel a prender a mente das pessoas. Essa palavrinha contém em si a mágica da inatividade: quando ela se impõe, a lógica desaparece.

Quando o indivíduo diz para si mesmo "eu creio", ele está entregando sua capacidade de pensar a seu dono, o líder religioso, e está entregando sua vida, seus bens, sua liberdade. Libertar tal escravo é tarefa gigantesca, quiçá impossível, porque qualquer argumentação, por mais lógica que seja, esbarra na fé inabalável nos meandros perniciosos da metafísica, daquilo que se denomina espiritualidade, algo que não se vê, não se mede, não se pesa, mas que traz em si a estupidez da esperança de uma vida melhor... depois da morte.

O edifício deísta - construído a partir da crença - tornou-se de tal forma complexo, de tal forma um emaranhado de falsos argumentos que se enredam e se completam, que essa teia monstruosa de uma aranha metafísica cobriu e enegreceu a mente humana sem qualquer possibilidade de achar o fio da meada para que se possa deslindar todas as mentiras arquitetadas e repetidas ao longo dos milênios.

O ateísmo não tem a menor chance contra a fé. Porque o ateísmo é liberdade e a fé mantém o homem escravo de um deus que ele julga não poder contrariar, sob pena de castigos severos.

Assim, a desconstrução do discurso deísta torna-se uma tarefa inglória, com remotas possibilidades de sucesso, em curto ou, mesmo, em médio prazo. Talvez daqui a alguns milênios, quando a ciência finalmente fizer aquilo que parece impossível - que é provar a inexistência de algo que não existe, um total e absurdo paradoxo - é que a humanidade comece por fim a libertar-se do jugo do deus que ela criou para escravizá-la através da forma mais terrível de escravidão, através da força da dinheiro e do poder sobre as demais pessoas.

Não, não creio na inocência de nenhuma religião, porque, para as religiões, tudo é permitido. E quem o permite são os escravos que elas escravizam.

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