Darwin, por Toni d'Agostinho

Este blog homenageia o cientista Charles Darwin (acima, no desenho de Toni d'Agostinho) que desvendou a origem da vida.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MORALIDADE INDEPENDE DE RELIGIÃO, DIZ ESTUDO





Crença divina seria produto, e não causa, de comportamentos sociais.


Herton Escobar/O Estado de São Paulo/9 de fevereiro de 2010.


De onde vem a religião? O fato de que todas as sociedades humanas conhecidas acreditam (ou acreditavam) em algum tipo de divindade - seja ela Deus, Alá, Zeus, o Sol, a Montanha ou espíritos da floresta - intriga os cientistas, que há tempos buscam uma explicação evolutiva para esse fenômeno.

Seria a religião uma característica com raiz evolutiva própria, selecionada naturalmente por sua capacidade de promover a moralidade e a cooperação entre indivíduos não aparentados de uma população? Ou seria ela um subproduto de outras características evolutivas que favorecem esse comportamento social independentemente de crenças religiosas?

A origem mais provável é a segunda, de acordo com um artigo científico publicado ontem (8.2.2010) na revista Trends in Cognitive Science. Os autores fazem uma revisão dos estudos já publicados sobre o tema e concluem que nem a cooperação nem a moralidade dependem da religião para existir, apesar de serem influenciadas por ela.

"A cooperação é possível graças a um conjunto de mecanismos mentais que não são específicos da religião. Julgamentos morais dependem desses mecanismos e parecem operar independentemente da formação religiosa individual", escrevem os autores. "A religião é um conjunto de ideias que sobrevive na transmissão cultural porque parasita efetivamente outras estruturas cognitivas evoluídas."

O artigo é assinado por Ilkka Pyysiäinem, da Universidade de Helsinki, na Finlândia, e Marc Hauser, dos Departamentos de Psicologia e Biologia Evolutiva Humana da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Em entrevista ao Estado, Hauser disse que a religião "fornece apenas regras locais para casos muito específicos" de dilemas morais, como posições sociais sobre o aborto ou a eutanásia. Já questões de caráter mais abstrato são definidas com base numa moralidade intuitiva que independe da religião.

Estudos em que pessoas são convidadas a opinar sobre dilemas morais hipotéticos mostram que o padrão de julgamento de religiosos é igual ao de pessoas sem religião ou ateístas. Em outras palavras: a capacidade de distinguir entre certo e errado, aceitável e inaceitável, é intuitiva ao ser humano e independe de religião, apesar de ser moldada por ela em questões específicas.

"Isso pode sugerir como é equivocado fazer juízos sobre a moralidade das pessoas com base em suas religiões", disse ao Estado o pesquisador Charbel El-Hani, coordenador do Grupo de Pesquisa em História, Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia. "Entre os ateus, assim como entre os religiosos, há a variabilidade usual dos humanos. Há ateus tão altruístas quanto Irmã Dulce, assim como há religioso tão dados à desonestidade e a faltas éticas quanto pessoas não tão religiosas."

Segundo Hauser, o ser humano não tem uma propensão a ser religioso, mas sim a buscar causas e propósitos para o mundo ao seu redor - o que muitas vezes acaba desembocando em alguma forma de divindade. Nesse caso, a religião seria um produto da evolução cultural, e não da evolução biológica." O fato de ser algo universal não significa que faça parte da nossa biologia", diz o pesquisador de Harvard.

Ele e Pyysiäinem sugerem que "a maioria, se não todos, dos ingredientes psicológicos que integram a religião evoluiu originalmente para solucionar problemas mais genéricos de interação social e, subsequentemente, foi cooptada para uso em atividades religiosas."

Ao estabelecer regras coletivas de conduta, a religião funcionaria como uma ferramenta de incentivo e controle da cooperação - tanto pelo lado da salvação quanto da punição. "Que a religião está envolvida na cooperação não há dúvida. Mas dizer que ela evoluiu para esse propósito é algo completamente diferente", afirma Hauser.



(Ilustração: Riccardo Tommasi Ferroni)


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DEUS É DINHEIRO, MUITO DINHEIRO








O Vaticano é podre de rico. Como a Igreja Católica Apostólica Romana é a mais antiga seita cristã e, portanto, a mais experiente em negócios, sua estrutura impede que clero - padres, bispos, cardeais, papa etc. - use sua riqueza de uma forma que fira seus interesses, embora isso, às vezes, aconteça.

Assim como ICAR, todas as demais seitas têm fontes de arrecadação que mantêm sua estrutura e, principalmente, seu staff. Nenhum "bispo" ou pastor dessas seitas é pobre. Todos ganham bem. E vivem bem.

A nova onda, em matéria de seita religiosa, é a proliferação de seitas pentecostais ou evangélicas. Surgem "igrejas" em cada cidade, em cada bairro de cada cidade, em cada esquina, e até nas aldeias indígenas. Com aproveitadores travestidos de "pastores", impõem a "palavra de deus" e a "fé" à custa de dízimos, de extorsão dos fiéis, vendendo "bênçãos", "águas milagrosas", "exorcismos" e "milagres" no varejo e no atacado.

Todos esses pastores vivem muito bem: têm casas luxuosas, carros do ano, roupas de grife; nas "férias" viajam para destinos elegantes e caros, tudo à custa da "féria" da igreja, claro, pregando "a palavra" entre os mais ricos e poderosos.

Porque a conta é simples: quem tem dinheiro tem poder. E os "pastores"  querem poder. Poder político: são bajulados por todos os partidos. Poder econômico: compram emissoras de televisão e tornam-se ainda mais poderosos  Poder "espiritual": mantêm o "rabanho" com rédea curta, através de prescrições absurdas ou atribuídas à bíblia, como impedir que as mulheres cortem os cabelos ou obrigá-las a usar sempre saias longas e negra; manter os homens afastados das mulheres, em cultos e em público, para que não caiam em "tentação"; ordenar casamentos entre os membros da "igreja"... E uma série interminável de proibições. Isso dá prestígio ao "pastor" e à igreja, além de manter os fiéis ocupados como contribuintes assíduos para os cofres.

Desde que o cristianismo, uma obscura seita conduzida por algum louco no interior da Palestina, começou a ser codificado, a partir do século II, assim são encaminhados os "negócios de deus": desde a venda de esperança de uma falsa vida eterna até "indulgências" que permitem a salvação, tudo se vende, tudo se negocia.

Sim, deus é dinheiro, muito dinheiro. Para os espertos, para a elite de todas as seitas cristãs, que vive de forma nababesca a partir da exploração dos crentes, idiotizados pela "palavra de deus" e pelas promessas de vida eterna. Sempre foi assim. A novidade, hoje, é a sanha arrecadadora das seitas evangélicas, que prometerm uma vida melhor aqui mesmo, neste mundo, se você doar tudo o que você tem para a igreja, para deus.

E muitos o fazem.

Ultrapassando a noção capitalista de que o dinheiro é deus, os novos crentes acreditam, sim, que deus é que é dinheiro. O melhor investimento do mercado. Basta ser um bom pregador da palavra divina.