TRAPICHE DO ATEU (II)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
TEMPLOS DE VENDILHÕES
Está lá, no dicionário (Aurélio):
Vendilhão, sm. 1. Vendedor ambulante; vendelhão. 2. Fig. Aquele que trafica publicamente em coisas de ordem moral.
Não gosto de citar a bíblia, essa colcha de retalhos de histórias judaicas e conselhos religiosos ou pseudo-religiosos, mas está lá, com todas as palavras:
"A minha casa será chamada casa de oração. Porém, vós a tendes transformado em covil de ladrões" (Mateus, XXI; 12 e 13).
E consta que o profeta do cristianismo expulsou os vendilhões do templo, correndo com eles debaixo de chicote.
Então, para que tudo isso?
Bem, é que neste último fim de semana (coincidentemente, o primeiro do ano de 2012), inauguraram próximo à Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, mais uma grande, uma imensa CAIXA REGISTRADORA. Que atende pelo apelido de templo. Templo de uma seita cristã autodenominada igreja mundial do poder de deus, ou algo parecido.
Não gosto de falar de seitas, porque elas são o menor problema do deísmo. Gosto de atacar diretamente na veia, isto é, aprecio o raciocínio que desmonta a crença absurda em deus ou em deuses; que comprova a inexistência de aspectos metafísicos num mundo que não tem nenhum resquício de qualquer coisa que se possa chamar de "espiritualidade"; que, enfim, afirma peremptoriamente que a vida é o bem mais precioso e que só temos esta vida, aqui, agora, a que estamos vivendo, sem nenhuma outra possibilidade.
No entanto, a inauguração dessa "caixa registradora" tornou-se algo de tão grande estupidez e de desrespeito às demais pessoas, que resolvi tecer alguns comentários sobre essa história de vender a salvação.
Primeiro, esperava-se que comparecessem à tal inauguração cerca de trinta mil pessoas. No entanto, o número de gente que gosta de ser enganada é muitas vezes superior a isso. Então, o que se viu foi um absoluto desrespeito que essas igrejolas de quinta categoria têm para com as pessoas, inclusive com seus próprios clientes (ou crentes, como gostam de ser chamados): centenas de ônibus entupiram a Rodovia, de ambos os lados da pista, fazendo com que as pessoas atravessassem a estrada, provocando congestionamentos imensos; outras centenas entupiram ruas próximas, impedindo as pessoas de sair de casa, ao estacionarem, com a arrogância que o deus deles lhes dá, em ruas estreitas e em frente a garagens de moradores; outras centenas de carros e ônibus consgestionaram as ruas próximas ao aeroporto, o que levou muita gente a perder voos; enfim, um desrespeito total e absoluto ao próximo, que eles dizem amar, mas que só odeiam, por não comungarem com as mesmas crenças que eles.
Agora, vamos ao aspecto moral e financeiro da questão.
Se são cristãos, se dizem que seguem a bíblia (e o fazem de uma maneira fundamentalista e fanática), como não se dão conta esses milhares e milhares de seguidores que os tais pastores não passam de pessoas - sem dúvida muito envolventes e simpáticas - mas apenas pessoas ávidas por dinheiro? Será que são tão absurdamente cegos, surdos ou estúpidos, para não perceberem - esses milhares e milhares de crentes dessas igrejolas chamadas "apostólicas" - que eles não passam massa de exploração desses "pastores" que não lhes dão nada em troca?
Não veem que tais pastores não têm poder nenhum - seja moral ou espiritual - e que só tiram o seu poder da capacidade de enganar, de levar as pessoas a depositarem parte de salários miseráveis para enriquecer os bolsos dessa canalha que finge dar apoio espiritual a um bando de trouxas que neles confiam?
Será que esses milhares de crentes não entendem o que leem no seu chamado livro sagrado, que está cheio de condenações a todo tipo de comércio da fé?
No entanto, multiplica-se a construção desses templos imensos, verdadeiras caixas registradoras, templos de vendilhões que só querem enfiar a mão no bolso de seus seguidores, para comprarem mansões, fazerem viagens internacionais e viverem vidas de nababos da crença, enquanto os pobres coitados que pagam o dízimo e dão seu suado dinheirinho continuam como sempre foram, pobres diabos e, agora, pobres diabos enganados com falsas promessas de que deus lhes dará, num pretenso céu, a recompensa por enriquecerem os vendilhões desses templos de exploração e de sacanagem.
Mesmo que aceitemos a ideia mais que absurda da existência de um deus todo poderoso, com todas as qualidades que se lhes atribuem os vendilhões dos templos e tempos modernos, é ser muito tosco ou estar muito desesperado para acreditar que esse deus seja assim tão necessitado de dinheiro, que precise se vender por alguns reais para levar quem quer que seja para o seu paraíso.
Esses pobres e enganados crentes compram a salvação como compram cebola no supermercado. Aliás, essas seitas pentecostais ou evangélicas nada mais são que supermercados da fé, com negociantes espertalhões - os tais vendilhões que o profeta de sua crença expulsaria a golpes de relho - a vender um pedaço inefável de céu a preço de concretos e muito bem vindos reais que lhes dão o conforto material que tiram, com a maior cara de pau, do bolso de seus seguidores.
O tal Jesus lá dos evangelhos - se tiver mesmo existido - deve estar se revirando em seu túmulo. De raiva dos vendilhões ou de rir dos trouxas que neles acreditam.
Aos crentes eu só pediria: leiam com um pouco mais de atenção a sua bíblia, leiam!
sábado, 24 de dezembro de 2011
FELIZ NATAL!
Natal: comemora-se o nascimento de um deus ou de um homem?
Como deus, Jesus tem sérios competidores. O próprio deus que, diz-se, seria seu pai. E ainda, de acordo com a igreja católica romana, o espírito santo. A famosa "divina trindade", cujo conceito anda meio em baixa, diante da avalanche fundamentalista das igrejas evangélicas.
Como homem, não se sabem bem se realmente existiu. Ou melhor, o mais provável é que seja a fusão de inúmeros pregadores que abundavam por aquelas plagas (hoje Israel, a chamada "terra santa" onde ocorreram e ainda ocorrem guerras de ódio por ocupação territorial) e naqueles tampos (que todos sabem quais são).
Tudo o mais é lenda, a maior mentira de todos os tempos. Ou talvez, não: afinal, os deuses gregos também tinham toda uma imensa mitologia atrás deles, com histórias perturbadoras e fundadoras de nosso pensamento. Então,os mitos cristãos, na mesma pegada dos deuses olímpicos e dos deuses de todos os demais povos do mundo, também conformaram o pensamento "moderno". E nos escravizaram a uma filosofia de quinta categoria e a um negócio que hoje alcança bilhões de dólares. Negócio que não tem mais condições de ser desfeito, diante de dois mil anos de lavagem cerebral.
A crença deísta está tão entranhada na mente humana, que parece fazer parte de uma espécie de DNA da memória e só uma parcela muito pequena da humanidade consegue livrar-se dessa praga. São os ateus, como eu.
O ateísmo - já o disse - é o estado natural do homem. No entanto, desde que saímos do útero materno (ou talvez até antes), somos bombardeados pela pregação deísta. Livrar-se desse lixo é - guardadas as devidas proporções - como largar o vício do fumo: sempre se pode ter uma recaída.
Porque a mitologia deísta e, em especial, os mitos cristãos são especialmente potentes, para nos iludir e nos levar a crer em histórias de carochinha como verdades absolutas, porque estão baseados no princípio da fé. Ou seja, a fé "remove montanhas" e nos subjuga sob seus escombros e entulhos de milhares e milhares de "pedras", "terra", árvores" e tudo o mais que possa constituir uma "montanha" de dois mil anos de altura.
Por isso, nessa véspera de natal, somos imbuídos do "espírito natalino": uma mistura de misticismo cristão elevada a várias potências ao fundir-se com o consumismo capitalista. E o tal "espírito de natal" se fortalece com o materialismo monetário do comércio,um imenso comérico, que cria suas próprias mitologias - como a figura ridícula de um bom velhinho a distribuir presentes - e prende ainda mais a mente humana na armadilha de uma comemoração absurda e completamente sem lógica, que é o natal.
Enfim, já que não se pode derrotá-lo - ao tal "espírito natalino" com todos os penduricalhos cristãos e capitalistas - só nos resta, a nós, ateus e quejandos, fazer vista grossa a toda essa baboseira e comemorar... o quê? Qualquer coisa, desde que comamos, bebamos e festejemos com nossos amigos e familiares, nessa mistura de "euforia cristã" e "consumismo capitalista".
Bom natal a todos.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
UM MUNDO SEM DEUS
(John Constable)
Diziam que a religião seria um freio para o homem.
Eu pergunto: freio? Freio para quê?
O homem não é uma alimária que precise de freio. Seus instintos não são divinos, mas sua racionalidade – ainda incipiente – pode ajudá-lo a sair da barbárie em que ainda está mergulhado.
Desde que assuma compromissos éticos com a VIDA – o bem mais precioso que ele tem. Porque é ÚNICA. Não há segunda oportunidade.
O deísmo – criador de crenças absurdas, de contos da carochinha – não conseguiu elevar o homem a um grau de civilidade que o impeça de continuar odiando e matando uns aos outros. Ao contrário, o deísmo – ao fomentar a criação de religiões - só fez aumentar as divisões e o ódio. Não trouxe nada de bom à humanidade.
Ser ateu é ser livre, livre para melhor entender a VIDA, a NATUREZA e a própria CONDIÇÃO DO SER HUMANO.
Por isso, eu acredito com todas as forças de meu pensamento que o homem não precisa de deus ou de deuses.
Por isso, eu acredito que, sem a imposição de crenças absurdas pregadas por religiões que segregam e obscurecem o pensamento, o ser humano terá condições de criar um sistema de valores éticos muito mais promissores, porque mais realista e voltado à DEFESA DA VIDA e do RESPEITO À NATUREZA E A SI PRÓPRIO.
Assinar:
Postagens (Atom)


